Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade

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Mestrado em Ciências da Comunicação
Área de Especialização: Informação e Jornalismo
3ª Edição - 2006/2007

Enquadramento e fundamentação
A proposta de criação de novos cursos de mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho tem em consideração dois factores: por um lado, o natural e necessário aprofundamento científico da área de comunicação e a pertinência e relevância para a comunidade envolvente da formação especializada, a disponibilizar na referida área; por outro, a existência dos recursos e condições fundamentais por parte da Universidade. Importa, assim, explicitar razões, motivações e fundamentos relacionados com o contexto envolvente e factores relacionados com o contexto interno, os quais são equacionados a seguir.

Contexto envolvente
O fenómeno comunicacional, nas suas distintas modalidades tornou-se, com especial ênfase nas últimas décadas, um verdadeiro facto de civilização. A dimensão tecnológica adquiriu, neste quadro, uma visibilidade que chega a ofuscar outras vertentes igualmente fundamentais, facto esse que se deve à projecção e ao impacte cultural e sócio-económico conseguidos pelas constantes inovações no domínio das novas tecnologias da informação e comunicação.

A comunicação mediatizada, com os desenvolvimentos traduzidos e incentivados quer pela globalização quer pela convergência, afirma-se com uma importância cada vez mais acentuada na vida dos indivíduos e das colectividades. Não apenas nos seus conteúdos e na sua 'performance' como também nas instituições que a promovem, nos profissionais que a realizam, nos utilizadores que a procuram e que com ela interagem, nas políticas que lhe definem as balizas e os horizontes.

Neste panorama, a pesquisa em Ciências da Comunicação, tanto na sua vertente fundamental como aplicada, adquire um significado incontestável porquanto pode concorrer para a iluminação e melhor compreensão de problemas de grande complexidade como são os que o campo comunicacional, informativo e mediático corporizam. Tanto mais quanto, como é o caso em Portugal, a tradição do estudo e da investigação é ainda escassa. De facto, os estudos superiores de comunicação social, se bem que tentados em mais de um momento ao longo do século XX, só com a liberdade conquistada com a revolução de 25 de Abril de 1974 encontraram condições para se desenvolver. Desde então, e a exemplo do que ocorreu no ensino superior em geral, verificou-se uma verdadeira multiplicação de cursos de graduação no sector público e no privado, de valor certamente muito desigual, mas que exprime, em boa medida, um interesse pelo campo.

No que se refere à oferta de mestrados, em Portugal, a iniciativa pioneira coube, em meados dos anos 80, à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, instituição que já tinha sido também a primeira a lançar - em 1979 - uma licenciatura em Comunicação Social. Surgiu, depois, já nos anos 90, um outro curso de mestrado na Universidade da Beira Interior e, mais recentemente, um terceiro na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, este voltado para os estudos jornalísticos. Nesta Universidade vem funcionando, desde há vários anos, um curso de pós-graduação em Direito da Comunicação, uma iniciativa do Instituto Jurídico da Comunicação.

Na região Norte do país, a oferta de cursos de pós-graduação do âmbito das Ciências da Comunicação é inexistente, apesar de haver vários cursos de licenciatura (ou equivalente) oferecidos por instituições públicas e privadas e, naturalmente, um número ainda maior de cursos no âmbito das Ciências Sociais e Humanas, dos quais poderão surgir candidatos à frequência de mestrados em Comunicação. Este facto tem levado a que os interessados em obter o grau de mestre se vejam obrigados a percorrer grandes distâncias, para frequentar cursos oferecidos quer em Universidades portuguesas quer estrangeiras (com destaque para Salamanca e Santiago de Compostela).

Contexto interno
A Universidade do Minho está em condições de concretizar a oferta de um Curso de Mestrado em Ciências da Comunicação. Essa medida é simultaneamente necessária e oportuna, pelas razões já aduzidas e pelas que a seguir se expõem.

A Universidade do Minho lançou a sua licenciatura em Comunicação Social em 1991. Foi um projecto amadurecido, precedido pelo ensino e investigação em Comunicação, instituído na Área de Comunicação e Informação da unidade orgânica de Ciências Sociais, e especialmente programado no Curso de Relações Internacionais Culturais e Políticas, onde se manteve, embora progressivamente reduzido, até hoje. Com a duração de cinco anos, a licenciatura começou a ter os seus primeiros diplomados em 1996 e encontra-se, neste momento, numa fase consolidada, o que permite encarar a sua reestruturação com base na experiência adquirida.

Uma parte dos alunos que fazem a licenciatura na Universidade tem mostrado interesse em continuar os seus estudos no domínio das Ciências da Comunicação, sendo obrigados a procurar outras universidades ou a optar por outros domínios do saber. A mesma pressão se sente da parte de licenciados exteriores à UM. Alguns deles completaram as respectivas licenciaturas noutras universidades mas, por razões várias, manifestam interesse na Universidade do Minho. Outro factor a considerar é a formação dos candidatos a doutoramento exteriores à Universidade e dos próprios assistentes estagiários que colaboram na leccionação e na investigação e que não dispõem de uma oferta formativa ao nível de mestrado.

Com o lançamento e desenvolvimento da licenciatura em Comunicação Social, a par da colaboração que já vinha sendo prestada a outros departamentos e escolas da UM, cresceu o número dos docentes envolvidos na Secção de Comunicação. Este facto associado ao crescimento de docentes com o grau de mestre e doutor, levou , em 1998, e nos termos dos Estatutos da Universidade do Minho, à constituição do DCC - Departamento de Ciências da Comunicação (Resolução SU-17/98, de 2 de Fevereiro).

Actualmente, o DCC dispõe de cinco docentes habilitados com o grau de doutor (dois catedráticos, um associado e dois auxiliares) e ainda de dois professores auxiliares convidados, um em regime de tempo completo e outro a 40 por cento. Conta ainda com alguns assistentes em fase de conclusão da preparação para provas de doutoramento. Parece chegado o momento de oferecer a sua própria proposta, neste grau de ensino pós-graduado.

Deve ainda referir-se o papel que a Universidade do Minho tem vindo a assumir no quadro das Ciências da Comunicação em Portugal, papel esse que acarreta naturais expectativas e lhe confere acrescidas responsabilidades. Na verdade, um dos seus docentes, o Prof. Doutor Aníbal Alves, precisamente o fundador do Curso de Licenciatura em Comunicação Social da UM, é também o primeiro presidente eleito da recém-criada Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), na qual os membros do Departamento têm tido relevante actuação (participação nos seus órgãos dirigentes, actividades de investigação, edição do boletim informativo, etc).. Na qualidade de Presidente da SOPCOM, o Prof. Aníbal Alves teve também um papel de destaque na criação, em 1998, da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (LUSOCOM) de que é actualmente Vice-Presidente. Esta Federação realizou em Braga, em Outubro de 1999, o seu primeiro encontro, depois de formalmente constituída, encontro que foi organizado com reconhecido êxito pelo Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, e de que foi Presidente o Prof. Doutor Moisés de Lemos Martins.

Merece ainda referência o recente lançamento da revista científica do Departamento - Comunicação e Sociedade (série Comunicação dos ´Cadernos do Noroeste´, revista do Centro de Ciências Históricas e Sociais).

Existe, por conseguinte, um contexto favorável, quer do ponto de vista interno à Universidade, quer do ponto de vista da comunidade por ela servida, para o lançamento deste Curso de Mestrado corporizado na presente proposta.

Diante do desafio de conceber e delinear a estrutura e orientação do Curso, foi considerada como a mais adequada, nas actuais circunstâncias, a solução de um Curso de Mestrado subordinado à designação genérica do campo científico em consideração. O Curso é constituído por um tronco comum composto de três disciplinas, a saber: Pragmática da Comunicação; Comunicação Mediada por Computador; e Cultura, Media e Tecnologia. As áreas de especialização que se prevê implementar gradualmente, ao longo dos próximos anos, em função de uma política de gestão dos meios humanos disponíveis, são as seguintes:
- Informação e Jornalismo;
- Publicidade e Relações Públicas
- Comunicação, Cidadania e Educação



webmaster | Última actualização: 15-Jun-2006 18:10